Você está em: Home » Piraquara » Paisagem que diz tudo

Turismo de Aventura

Paisagem que diz tudo

Do alto do Morro do Canal, em Piraquara, dá para ver a deslumbrante paisagem das águas que vão abastecer as torneiras de Curitiba e região

Vista panorâmica do alto do Morro do Canal, em Piraquara

Clique sobre o contrle acima para conferir a vista panorâmica que se tem do alto do Morro do Canal.

O que se vê do alto dos 1.373 metros do Morro do Canal, em Piraquara, é uma paisagem que, além de ser muito bonita, explica muita coisa. A mais evidente é o porque da alcunha “capital das águas”. O visitante com disposição para enfrentar uma caminhada de nível médio, que dura cerca de 1h30 morro acima, é recompensado com a vista para a Cayuguava, uma das três represas de Piraquara que, juntas, são responsáveis por 50% do abastecimento de água de Curitiba e cidades vizinhas.

De lá dá para ver ainda a grande quantidade de mananciais e rios da região, além de um pedaço de mata nativa que se estende até além do horizonte. Essa paisagem tão verde explica porque 98% do território de Piraquara é área de preservação ambiental. Ironicamente, a maior riqueza do município é também seu maior entrave.

Para proteger o meio ambiente, é praticamente impossível construir indústrias lá. Gilmar Zachi Clavisso, secretário municipal de meio ambiente e turismo de Piraquara, explica que “com quase toda a área comprometida com a captação de água comercializada pela Sanepar, e por ser uma área de manancial de abastecimento público, isso restringe o desenvolvimento de atividades industriais” (Confira a entrevista completa abaixo). Outras atividades econômicas, como o comércio e serviços, não são suficientes para gerar empregos, o que transforma o município em cidade-dormitório. Isso, por sua vez, faz com que menos riqueza seja produzida em solo piraquarense.

O resultado desse efeito dominó é uma cidade com um índice de desenvolvimento humano bem abaixo de seus vizinhos mais industrializados. No ano 2000, Piraquara ficou na 184ª posição no ranking estadual, bem distante de Araucária, por exemplo, que ficou na 23ª colocação. Mas a bela paisagem do Morro do Canal aliada à infraestrutura que existe por lá não deixam dúvidas de que o turismo pode ser uma alternativa para alavancar o desenvolvimento do município.

Foto

Imagem de satélite da Represa do Cayuguava e do Morro do Canal, obtida no Google Earth.

O acesso ao Morro do Canal fica em uma propriedade particular, a Chácara do seu Zezinho. Lá tem estacionamento, banheiros, camping e lanchonete. A subida do morro conta com a ajuda de correntes e grampos fixados na rocha, que dão um gostinho a mais de aventura. A trilha toda é bem conservada e bem sinalizada, facilitando o acesso para os menos experientes.

Para a caminhada, o ideal é vestir roupas leves e um bom tênis, levar uma garrafinha de água e usar protetor solar. O condutor de turismo, Sérgio Henrique Liebl, 35, aconselha: “Para quem não está acostumado com trilhas é importante ir com alguém que conheça o lugar. Sempre avisar alguém para onde está indo e quando pretende voltar”. Também é bom levar uma lanterna porque imprevistos podem retardar a descida. “É o que ocorre se alguém tiver um entorse no pé”, exemplifica Liebl. E no Morro do Canal isso não é difícil de acontecer.

Parte da trilha passa por grandes pedras empilhadas, que formam fendas, onde podem acontecer acidentes. Nada que subir devagar e olhando onde se pisa não resolva. E vale a pena. Perto do cume dá para ver toda a exuberância de Piraquara com Curitiba ao fundo. Olhando para o lado, o Morro do Vigia parece olhar de volta. E acima, as nuvens baixas roçam o topo do Morro do Canal, fazendo o visitante sentir um friozinho, ainda mais com o vento que sopra lá em cima, zunindo de um jeito que só naquelas alturas mesmo é possível ouvir.

Texto de Renata Portela. Incluído em 22/11/2011.

Fotos


Entrevista

O Secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Turismo de Piraquara Gilmar Zachi Clavisso explica em entrevista ao Pinha Pinhão porque não é possível implantar indústrias em Piraquara e as consequências disso para o município.

Continue lendo

Entrevista

O Secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Turismo de Piraquara Gilmar Zachi Clavisso explica em entrevista ao Pinha Pinhão porque não é possível implantar indústrias em Piraquara e as consequências disso para o município.

Pinha Pinhão - Como o senhor definiria a importância de Piraquara para Curitiba e região metropolitana?

Gilmar Zachi Clavisso - Talvez Piraquara seja o município mais importante para Curitiba e região metropolitana.

O município tem 1.116 nascentes do Iguaçu, com cinco bacias hidrográficas e três represas. Piraquara possui o maior manancial de abastecimento público do Estado do Paraná, produzindo atualmente 3.500 litros por segundo, atendendo metade da população da região metropolitana.

Ao mesmo tempo, Piraquara tem a menor renda per capita do Paraná (R$ 4.200,00) e menor orçamento para atender às demandas do município, tem maior restrição ambiental.

Piraquara recebe o ICMS ecológico desde 1991. O que mudou desde que o município passou a receber esse dinheiro e porque o repasse ainda não é suficiente?

O ICMS ecológico é um recurso que tinha como objetivo compensar a restrição a qualquer outro tipo de desenvolvimento econômico, tendo em vista as proibições para proteção ambiental.

Acontece que nos últimos anos o ICMS foi distribuído para mais de 200 municípios, inclusive aqueles que tinham possibilidade de exercer outras atividades econômicas. Com isso, houve um esvaziamento e hoje ele não atende mais a composição do orçamento de Piraquara, mas ainda assim é importante, pois representa 15% do orçamento do município.

- Piraquara recebe outras contrapartidas financeiras do governos ou da Sanepar pela prestação de serviços na área ambiental?

Até o momento, a Sanepar e o Governo do Estado não pagaram nenhuma parcela e não apresentaram nenhuma contraproposta. A Sanepar deveria repassar em torno de R$ 1,67 milhão por mês ou cerca de R$ 20 milhões anuais, o que representa 10% do que a empresa arrecada com a comercialização da água de Piraquara.

- Quais alternativas o município vem adotando para geração de emprego e renda, já que não se pode instalar indústrias em Piraquara?

O município tem 100% da área comprometida com a captação de água comercializada pela Sanepar, e por ser uma área de manancial de abastecimento público, restringe o desenvolvimento de atividades industriais que geram influentes líquidos.

Existe também uma ação do Ministério Público que desde o ano 2000 proíbe qualquer atividade em Piraquara, mesmo indústria não poluente. O município, junto ao Governo do Estado, fez um pedido de reconsideração da liminar, abrindo a possibilidade de instalação de indústria seca não poluente. Nesse caso, o município e o Governo do Estado estudam a possibilidade de abrir um espaço para abrigar uma central de logística, por ser uma atividade não poluente que pode gerar mais emprego e mais imposto.

- Quais são os projetos para um melhor aproveitamento turístico da região?

O município de Piraquara criou um departamento de turismo, um conselho municipal de turismo e está implantando a sinalização turística. Temos um projeto no novo centro e estamos adequando a infraestrutura do Parque Trentino com a construção de churrasqueiras, salão de festas e banheiros. Com a ampliação do Parque do Marumbi, o município faz uma gestão compartilhada em dois principais destinos naturais: Trilha Morro do Canal e Revitalização do Carvalhinho.

Fora isso, buscamos junto à Sanepar um local onde os produtores possam fazer seus produtos agro-artesanais com qualidade sanitária, implantando, portanto, a agroindústria. Ampliamos alguns produtos turísticos, como a Caminhada Internacional da Natureza e a Cavalgada de aniversário do município. Qualificamos também a estrutura dos eventos, como, por exemplo, a Festa do Carneiro, em que alugamos 5 mil cadeiras para que as pessoas possam comer ao mesmo tempo.

Possuímos ainda o Tratado das Cidades Irmãs, em que houve um resgate da cultura trentina, criação do território indígena (ocorrendo resgate de índios Guaranis) e a restauração da igreja da Colônia Santa Maria, que possui a imagem de Nossa Senhora de Assunção, que ficou durante dois anos na Itália.

 



Depoimentos relacionados

Compartilhe sua experiência

Ainda não há dicas ou histórias de quem já fez esse passeio.


Voltar ao topo


FacebookTwitterOrkutFeed

Serviço:

Como chegar: Para chegar lá, só de carro. De Curitiba até a entrada de Piraquara são 18 Km. Logo na entrada da cidade vire à direita na rua do Posto Ipiranga e siga em frente, sempre optando pela esquerda nas bifurcações até achar a “casa com mapa”. Ali, pegue à direita. Na próxima bifurcação também pegue à direita, o que o levará até a Colônia Santa Maria. Na colônia, pegue a rua que vai dar na frente da igreja, vire à esquerda e, quando encontrar uma outra estrada, vire à esquerda novamente. Siga em frente até encontrar uma bifurcação com um pinheiro no meio.

Ali há uma placa indicando a Chácara do Seu Zezinho, que é a base de acesso ao morro. Vire à direita e siga até a chácara. De Piraquara até o Seu Zezinho são 15 km em estrada de chão em condições razoáveis, mas verificar antes se o step do carro está em dia é uma boa precaução. Fonte: Saia do Sofá.

Informações: (41) 3673-4442 Secretaria Municipal de Turismo

Preço: O estacionamento na Chácara do Seu Zezinho custa R$ 3,00. Na lanchonete não são aceitos cartões, só dinheiro.

Checklist

Confira os itens indispensáveis para fazer esse passeio:


Pinha Pinhão

O site   •   Fale Conosco   •   Fórum