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Ecoturismo

No meio do mato, em um passado distante

Essa é a sensação quando se está no Caminho do Itupava, uma trilha que corta a Mata Atlântica para ligar Quatro Barras a Porto de Cima, e que conta um capítulo importante da história do Paraná

Pelo Caminho do Itupava, o visitante passa por pontes, calçamento de pedras escorregadias, riachos e atoleiros, tudo pra fazer uma viagem histórica pela Mata Atlântica. Assista ao clipe com imagens dessa aventura.

Dizem que o Caminho do Itupava foi descoberto por caçadores que perseguiam uma anta em plena Mata Atlântica, desde o alto da serra até Porto de Cima, na região de Morretes. Durante a perseguição o bicho seguiu uma trilha aberta pelos índios, até que os caçadores conseguiram abatê-lo perto do rio Nhundiaquara. Entre 1625 e 1654, o caminho foi corrigido em alguns pontos, alargado e calçado, tornando-se por dois séculos a principal ligação entre o primeiro planalto e o litoral.

O Itupava, que em tupi-guarani significa “rio encachoeirado”, já teve muitos nomes assim como muitos traçados. Quando a futura Curitiba começou a ter importância econômica, a trilha, com 50 km de extensão, começava no atual Passeio Público e ia até o povoado de Porto de Cima. Hoje em dia o caminho é bem menor: são 22 km, vencidos com oito a dez horas de caminhada.

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Posto do IAP no início da trilha, onde o visitante deve se registrar, para o caso de alguém se perder ou precisar de socorro.

O início é em Borda do Campo, no município de Quatro Barras. Lá existe um posto do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) onde os visitantes devem se registrar antes de fazer a trilha, para o caso de alguém se perder ou precisar de socorro. É importante carregar na mochila um saco de lixo, papel higiênico, lanterna, água e alguma coisa para comer, como um sanduíche, frutas e barrinhas de cereal. Nos pés, um bom tênis ou bota de caminhada é essencial. Também é bom levar um chinelo e uma muda de roupa para trocar quando chegar em Morretes. A Mata Atlântica não é conhecida como uma das florestas mais úmidas do mundo por acaso.

O ideal é começar a trilha bem cedo para chegar ao final antes do anoitecer. No caminho, o visitante vai se deparar com árvores enormes, orquídeas e bromélias coloridas, paisagens de tirar o fôlego, como a cadeia de montanhas do Marumbi e a baía de Antonina vista de longe (se o tempo ajudar). Também vai ouvir cantos, pios e o farfalhar de asas de pássaros e, se tiver sorte, pode cruzar com macacos, lagartos e outros bichos.

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Ruínas da Casa do Ipiranga, um dos atrativos históricos que o visitante pode conferir ao longo do caminho.

O Caminho do Itupava é também um passeio no tempo. Em vários trechos o visitante caminha sobre o calçamento original da trilha, feito por escravos com pedras tiradas do leito de rios próximos. No primeiro ponto onde a trilha cruza com a estrada de ferro, é possível conhecer ainda as ruínas da Casa do Ipiranga. Construída alguns anos depois da ferrovia, era a casa do engenheiro chefe da linha. Depois que a linha férrea foi privatizada, a Casa do Ipiranga foi abandonada. Daí o vandalismo chegou até o meio do mato e em pouco tempo não sobrou quase nada.

Voltando à trilha do Itupava, descendo até o ponto onde o caminho e a estrada de ferro se cruzam novamente, há o Santuário de Nossa Senhora do Cadeado, inaugurado em 1965. Aquele lugar marca um dos trechos mais difíceis da travessia. A partir do meio da serra, o antigo caminho contornava a montanha acompanhando o rio, com passagens estreitas e irregulares por onde só dava para passar homens a pé, carregando fardos no muque. Em 1770, o Coronel Afonso Botelho precisava passar por ali seu exército e equipamentos bélicos, com a missão de desbravar e ocupar os campos de Tibagi e Guarapuava. A solução foi explodir com pólvora uma grande rocha, na qual foi aberta uma passagem curva como a argola de um cadeado. A tropa do coronel seguiu em frente. Chegando a região de Guarapuava, caíram em uma emboscada e foram massacrados pelos índios.

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Além dos atrativos históricos, no Caminho do Itupava o visitante pode encontrar também belas paisagens da Serra do Mar e uma natureza exuberante.

Mas o legado deixado foi enorme. A partir da intervenção de Afonso Botelho, foi possível usar mulas para o transporte de mercadorias. Morretes viveu o auge de prosperidade econômica e política entre 1820 e 1880, até a construção da Estrada Graciosa, em 1873, e da ferrovia Curitiba-Paranaguá, em 1885.

O Caminho do Itupava foi abandonado para o transporte de mercadorias, mas transformou-se em um destino turístico. Só nos finais de semana transitam por ali em média 300 pessoas. Gente que se embrenha no mato, desvia de galhos, escolhe com cuidado onde colocar o pé a cada passo, cai tombos inevitáveis, e chega exausta a Porto de Cima. Nas prainhas do rio Nhundiaquara, dá para contratar uma das kombis de boiacross, a cinco reais por pessoa, para uma chegar à rodoviária de Morretes. E lá pegar um ônibus de volta para Curitiba. Ou se a cabeça ainda estiver mergulhada no passado, siga para a povoação de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

Texto de Renata Portela. Incluído em 29/11/2011.

Fotos

 



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Serviço:

Como chegar: A melhor opção é ir de ônibus. Você pode pegar a linha Curitiba/Quatro Barras (via BR 116) no terminal Guadalupe, no centro de Curitiba. A passagem custa R$ 2,35. Você pode ver o horário do ônibus no site da URBS.

Vá até o terminal de Quatro Barras. Lá, pegue o ônibus Borda do Campo e desça no ponto final. Você vai encontrar placas indicativas para o Caminho do Itupava.

Caso queira voltar de Morretes para Curitiba no mesmo dia, não se atrase: o último ônibus parte da rodoviária às 20h. A passagem custa R$ 13,91.

Checklist

Confira os itens indispensáveis para fazer esse passeio:


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