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Turismo RuralDá para jurar que se está em algum lugar da Polônia. Casas de teto baixo, feitas sem pregos, só com toras de madeira encaixadas umas nas outras; muitas igrejas pelo caminho, gente falando polonês. Ao chegar em uma casa para comer, os anfitriões primeiro oferecem pedaços de pão e sal, mais um gole de vodka zubrowka, simbolizando desejos de fertilidade, durabilidade e alegria. Na mesa, broa, torresmo, banha e carne de porco, doce de abóbora, entre outras iguarias.
Esse pedaço polaco do mundo está em Araucária e pode ser visitado com o ônibus da linha turismo Caminhos de Guajuvira, que percorre 45 km, ida e volta, num trajeto que mistura paisagens urbanas e rurais.
Na Adega Casa Mattiello os visitantes podem degustar queijos, salames e vinhos. E entre um gole e outro, são surpreendidos pelo toque do berrante do funcionário da casa, Flaviano Cotovicz.
A primeira parada é uma delícia: degustação de vinho, salame, linguiça e queijos na Adega Casa Mattiello, de uma família do Rio Grande do Sul. Flaviano Cotovicz, 37, é o funcionário que recebe os visitantes. De repente, saca o berrante e começa a tocar com fôlego de sobra, como se fosse um boiadeiro dos pampas. Dependuradas nas paredes da Casa Mattiello há bandeiras de vários países, e a música ao fundo é típica, só não se sabe de onde. Alemanha, é o que sugerem as linguiças que pendem do teto. A Casa é um dos poucos pontos da linha Caminhos de Guajuvira em que a cultura polonesa fica um pouco de lado.
Já não é o caso do segundo ponto de parada do ônibus, o Parque Cachoeira. Lá, as edificações têm arquitetura típica da imigração polonesa, como a Casa do Artesanato, construída em 1887 e que hoje é uma loja de produtos artesanais feitos pelas mãos de famílias araucarianas. Um celeiro e um moinho foram transformados em salas de aula para cursos de artesanato abertos à comunidade.
Uma das seis estufas de flores do sítio da família Waenga, que abastece o mercado de Curitiba e região. O visitante também pode comprar, e de quebra recebe dicas de como cuidar bem da planta.
Pelo caminho, o visitante irá cruzar com pessoas apaixonadas pelo lugar onde vivem. Pessoas como Lidia Waenga, 58, que mora no mesmo sítio desde que nasceu. Lá, a professora de história de uma escola do município cultiva flores. Ela e sua família mantêm aproximadamente cinco mil plantas, abrigadas em seis estufas na propriedade, que são vendidas para o mercado de Curitiba e região. É difícil sair do sítio sem ao menos uma violeta.
Henrique Czaikowski também tem raízes bem plantadas em Araucária. Puxar um dedo de prosa com esse senhor de 70 anos durante a terceira parada da linha turismo é arriscado, já que provavelmente o visitante não vai ter tempo de comer pastel de requeijão, vendido no Armazém Comercial Iguaçu. Fundado em 1958, o armazém já passou por duas grandes enchentes do rio Iguaçu, e pela explosão de um trem que carregava combustíveis, em 1988, que queimou várias casas da vizinhança e por pouco não atingiu o antigo comércio de secos e molhados.
A quarta parada é no horto florestal da cidade. Lá, o visitante pode escolher duas mudas para levar para casa, entre opções de árvores nativas, árvores frutíferas ou flores. Também é possível ver a árvore que deu origem ao nome da linha turismo, a guajuvira. O guia explica que ela tem uma madeira forte, outrora usada por índios para fabricar arcos e flechas.
Visitantes fazem fila para cumprimentar a anfitriã, que recebe os turistas com a tradição polonesa de oferecer um gole de vodka e um pedaço de pão com sal, símbolos de alegria, fertilidade e durabilidade.
Depois, o ônibus segue para a última parada do passeio: a chácara São Pedro, onde é servido o café polonês. Na mesa, as comidas típicas dos poloneses se misturam com pratos mais brasileiros, o que agrada a todos os paladares. Antes de voltar para casa, dá para ficar no jardim, observando um trator trabalhar na roça de milho no alto do morro à direita da casa, enquanto um cavalo marrom pasta perto de um riacho no sopé do mesmo morro, e à frente o sol se põe atrás das araucárias.
Texto de Renata Portela. Incluído em 04/06/2011. Atualizado em 12/08/2011.
Apresentação do grupo de dança típica Wesoly Dom, um dos grupos de Araucária que preservam a cultura polonesa
Os primeiros polacos a desembarcar em solo paranaense vieram em 1871 e se estabeleceram no bairro Pilarzinho, em Curitiba. Muitos outros imigrantes vieram depois, principalmente entre 1889 e 1914, incentivados por propagandas do Brasil lá fora e por políticas de incentivo à imigração, expulsos de lá por guerras, e por falta de terras para a agricultura alguns anos mais tarde.
Aqui, difundiram o uso do arado e da carroça puxada a cavalo. Eram excelentes agricultores e ajudaram a aumentar a produção do Estado.
Até hoje a cultura polonesa é forte no Paraná. Os descendentes fazem questão de preservá-la e em Araucária não é diferente. A cidade tem grupos de dança típica, como o Wesoly Dom, organiza todos os anos a Festa do Pierogue, além de ter a linha de Turismo Rural Caminhos de Guajuvira, que é um passeio pela cultura polonesa.
Ainda não há dicas ou histórias de quem já fez esse passeio.
Serviço:
O ônibus da Linha Turismo Caminhos de Guajuriva custa R$ 5,00 e o café polonês do final do passeio (opcional) custa R$ 12,00.
O ônibus parte aos sábados, às 13h30, do Centro de Informações Turísticas (CIT), situado na rua Dr. Victor do Amaral, 1815, no centro de Araucária. As visitas devem ser agendadas previamente pelo telefone (41) 3901-5214. O horário de atendimento é de segunda a sábado, das 8h às 18h, e domingos e feriados das 10h às 17h.
Para chegar ao CIT, o visitante pode vir de Curitiba por várias linhas de ônibus:
- Ligierinho Capão Raso/Araucária. Embarque: Terminal do Capão Raso.
- Ligeirinho Curitiba / Araucária. Embarques: Rua Des. Westphalen (próximo a Praça Rui Barbosa) ou no Terminal do Capão Raso.
- Alimentador Curitiba / Araucária. Embarque: Rua Dr. Muricy, esquina com a Av. Visconde de Guarapuava.
- Ligeirinho Portão / Araucária. Embarque: Terminal do Portão.
- Ligeirinho Pinheirinho / Araucária. Embarque: Terminal do Pinheirinho.Ao escolher uma das três últimas opções o visitante poderá descer no ponto de ônibus próximo ao CIT. Pela linha "Capão Raso / Araucária" o visitante deve descer na estação Cavalo Baio (a primeira após o terminal Vila Angélica). Obs.: A estação-tubo Cavalo Baio está em construção. Os visitantes devem solicitar ao motorista para descer do ônibus pela porta de emergência.
Confira os itens indispensáveis para fazer esse passeio: