Da incipiente população e dos esparsos domicílios, foi surgindo ao longo de um século, o município de Pinhais, hoje um dos mais povoados do estado do Paraná. Aqueles tempos do difícil acesso, da morosidade do trem e da escassez de infra-estrutura não fazem mais parte da realidade da população pinhaiense; todavia, essas imagens ainda povoam a memória dos moradores mais antigos. Da mesma forma, a Cerâmica Weiss, fator aglutinador e gerador de riquezas, passou do âmbito da realidade para se tornar um dos elementos de identidade do município de Pinhais.
A Estação Ferroviária é outro fator muito importante na formação da cidade, da gradual redução do seu nome (inicialmente "Estação São José dos Pinhais", depois, "Estação Pinhais") que surgiu o nome do então povoado.
Foi justamente da conjunção desses dois fatores, cerâmica e estação, que iniciou-se uma povoação mais densa. Dessa forma a região em torno da Estação de trem constitui o Marco Zero da atual cidade. Em 120 anos de existência, a localidade veio a abrigar populações provenientes das mais diferentes regiões. Migrantes e imigrantes que aqui se fixaram estabeleceram forte elo de ligação com a cidade não somente com a sua situação geográfica, mas principalmente com o ethos cultural que emoldura e impulsiona a vivência da cidade. Essas expressões, somadas, contribuíram de maneira substancial para a formação da grande diversidade cultural do município , motivo de justificado orgulho.
Em termos econômicos, o município de Pinhais representa atualmente a 12ª economia do estado do Paraná. Conta com elevado número de empresas que atuam nos mais variados setores, dinamizando cada vez mais o perfil sócio-econômico do município e regiões circunvizinhas.
Pinhais conta, atualmente, com uma população estimada em 112.038 mil habitantes -(IBGE-2007). Mas não é unicamente da quantidade de sua gente que se faz uma cidade; é o cotidiano das relações, na intensidade dos menores gestos, no dia-a-dia das atitudes e dos afetos para com a cidade e os cidadãos, que se constitui a trama da vida social e cultural. Nesse exercício cotidiano da cidadania, a história desempenha um papel fundamental. O homem necessita da história, porque lembrar-se do passado é condição necessária para todas as construções humanas.
Fonte:Prefeitura de Pinhais
Pinhais, o município que pertencia a Piraquara até 1992 é um dos mais novos e o menor em extensão do Estado com uma área de 60,92 quilômetros quadrados. É, também, o município mais próximo do centro da Capital do Estado, pois está a 8,9 quilômetros da região central.
Atualmente Pinhais possui a 12ª maior arrecadação do Paraná. Dona de um vasto pólo industrial, com aproximadamente 2.500 empresas, 1500 estabelecimentos comerciais, se destaca principalmente na indústria de metal mecânica, plásticos e prestação de serviços.
Contando com 15 bairros e inúmeras vilas, Pinhais faz divisa com Colombo, Curitiba, Quatro Barras, São José dos Pinhais e Piraquara.
A cidade possui uma população de aproximadamente 112 mil habitantes. Neste ano (2009) foi apontada segundo dados do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, como a cidade mais desenvolvida na região metropolitana de Curitiba e a terceira do Estado. Outro fator importante é que o município oferece uma série de incentivos para a atração de empresas com o Programa de Incentivo ao Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Pinhais – Proindesp.
Fonte:Prefeitura de Pinhais
Os primeiros habitantes do território Segundo as pesquisas do professor Igor Chmys, a região circunvizinha de Curitiba foi lugar de ocupação de dois grandes grupos indígenas, pertencentes aos troncos lingüísticos Jê e Tupi. As primeiras populações indígenas eram pré-ceramistas e possivelmente datam de 4.000 anos a.C. Após essa primeira ocupação, que se estendeu até aproximadamente 1.485 a.C., ocorreu a presença de povos ceramistas, ou seja, aqueles que detinham a técnica de confeccionar vasilhames de argila.
De acordo com Chmyz, o fato da região hoje conhecida como Pinhais ter uma topografia plana e ser uma região de mananciais, torna-se bastante provável a ocorrência de habitações indígenas. Nessa região, foram encontrados vários vestígios de artefatos indígenas, além de evidências de estruturas habitacionais características do povo Jê.
A colonização do Primeiro Planalto
Em meados dos século XVII as populações indígenas remanescentes entraram em contato com o elemento europeu.
Após a ocupação de Paranaguá, o homem branco deu início à colonização do planalto curitibano. Esse processo está intimamente ligado à procura e exploração de metais preciosos, principalmente o ouro.
Foi em busca desse metal que o europeu transpôs a serra do mar e iniciou a colonização do Primeiro Planalto, já que se tratava de ouro de aluvião (encontrado nas encostas dos rios). Juntamente com a colonização de Curitiba, ocorreu o processo de requerimento e concessão de sesmarias nas regiões vizinhas. Nesse contexto, em 1674, o capitão-povoador Antonio Martins Leme fez requerimento de uma sesmaria localizada entre os rios Palmital e o Itatiba (Atuba) com dimensão œ x œ légua.
O período de extração do ouro foi de curta duração devido à pouca quantidade do minério encontrado. Contudo, a atividade mineradora paranaense recebeu relativa importância por parte da Coroa Portuguesa, o que pode ser comprovado pelo estabelecimento da Fundição Real, em Paranaguá, de 1697 a 1734, à qual cabia a retirada do quinto. A atividade mineradora foi pequena, sendo os arraiais – áreas de extração de ouro – de tamanho reduzido, o que acarretou uma baixa demanda de mão de obra. Assim, não houve necessidade de aquisição de mão de obra compulsória (escrava) em grande escala, embora se constate a presença do trabalho escravo, tanto na mineração como nos serviços domésticos.
O declínio do surto na região do Planalto Curitibano ocorreu simultaneamente às grandes descobertas de ouro nas Minas Gerais (início do século XVIII).
Esse fato ocasionou um considerável movimento migratório para aquela região. Tal movimento deveu-se às grandes dimensões da atividade mineradora na região Sudeste. Essa grande migração pode ser explicada pelo mito gerado em torno da rápida ascensão social decorrente da descoberta do ouro em grande quantidade (o imaginário do Eldorado).
Logo após o declínio da atividade mineradora e o conseqüente movimento migratório para o Sudeste da Colônia (MG), a região dos Campos de Curitiba entrou num período de estagnação. No entanto a própria atividade mineira, que foi uma das determinantes da estagnação, ensejaria um novo fomento econômico: a demanda gerada pelo estabelecimento da indústria da mineração no Sudeste brasileiro. Essa demanda era principalmente de animais (transporte e alimentação). A agricultura e/ou pecuária não chegou a despertar grande interesse na região das Minas Gerais, de modo que a mineração era atividade praticamente exclusiva, considerando-se o alto lucro atingido proporcionado pela extração de metais preciosos (muito acima de qualquer possibilidade da agricultura ou outra atividade). O problema do abastecimento de gêneros alimentícios tornou-se a grande preocupação do governo colonial no século XVIII.
Em paralelo a essa demanda das Minas Gerais, no estado do Rio Grande do Sul desenvolveu-se a criação de gado em escala comercial. A demanda mineira foi parcialmente atendida por esse gado. O grande ponto de comércio era Feira de Sorocaba, no estado de São Paulo, onde o gado sulino passou a ser comercializado com os mineradores da região Sudeste.
O gado do Rio Grande do Sul era comprado por grandes proprietários de terras da região dos Campos de Curitiba e trazido em tropas através do chamado "caminho do Viamão” (uma espécie de trilha que ligava Viamão – RS a Sorocaba – SP). Por essa razão, esses comerciantes de gado foram chamados de tropeiros. Sendo assim, os campos da então Quinta Comarca de São Paulo (Paraná) ficavam em uma posição privilegiada em relação ao comércio estabelecido entre as regiões Sul e Sudeste. O gado do Rio Grande do Sul passava por uma penosa "tropeada” através do caminho do Viamão. Devido às precárias condições desse percurso, ao chegar à região dos campos de Curitiba, o gado tinha perdido muito peso, de modo que, essa região tornou-se um entreposto do comércio no caminho das tropas. A relativa proximidade do Paraná com a Feira de Sorocaba, bem como os seus campos propícios para o descanso e engorda, fez com que se desenvolvesse aqui uma nova atividade: o arrendamento dos campos para a invernada através do caminho de Viamão, passava certo tempo nos campos de Curitiba, recuperando o peso ideal para a comercialização. Por essas estadas nas fazendas paranaenses, os tropeiros pagavam com o dinheiro gerado pela feira sorocabana. A atividade da invernada no Paraná era tão rentável, que fez surgir um primeiro estrato social dominante: a elite campeira paranaense. Fato que de certo modo comprova a criação de gado não foi implementada de forma comercial. Em vez de criar o gado para o comércio em Sorocaba, preferia-se invernar o rebanho comprado junto aos criadores gaúchos. No período do troperismo, o único meio de transporte por terra era o lombo muar. Assim, podemos compreender a importância desse comércio realizado entre o Rio Grande do Sul e as Minas Gerais, além de proporcionar uma nova atividade econômica para o planalto curitibano.
Contudo, as atividades comerciais dos campos de Curitiba nesse período não se restringiam ao trabalho do tropeiro. Outra face importante da atividade econômica dessa região era a exportação da erva-mate via porto de Paranaguá. Como no caso do comércio com São Paulo, os produtos eram transportados por muares através de trilhas abertas em meio à mata. Os três caminhos que ligavam o planalto de Curitiba ao litoral eram o do Itupava, o da Graciosa e o do Arraial Grande, o segundo servindo de base para a posterior abertura da Estrada da Graciosa e, juntamente com o Itupava, passava pela região onde hoje se situa o município de Pinhais. O caminho do Itupava começava seu trajeto na região onde atualmente fica o Círculo Militar de Curitiba e estendida no sentido leste, passando pelos rios Belém, Juvevê, Bacacheri, Atuba, Palmital e Cangüiri. O historiador Júlio Estrella Moreira nos dá uma descrição desse caminho:
(...) Correndo sempre para leste, o caminho passava pela Varginha (local onde nascera o poeta Emiliano Perneta e seus irmãos). Pouco adiante atravessava o rio Palmital, também, margeando por terras alagadiças. A seguir atingia a borda do campo, onde existiam diversas fazendas de criação, entre as quais a do padre da Companhia de Jesus dividida em duas partes bem distintas pelo rio Cangüiri. A sede da fazenda era acolhedora pousada e sadia alimentação, além de farta forragem para as cavalgaduras e as bestas de cargas.
Com o advento do transporte ferroviário, na Segunda metade do século XIX, o muar aos poucos foi deixando de ser utilizado. A máquina a vapor transportava os produtos de exportação em maior quantidade, em menor tempo e com um custo mais baixo, além de proporcionar maior conforto mas viagens a Paranaguá ou à Capital do Império (Rio de Janeiro). A partir de então, o comércio das tropas foi perdendo importância, pois a demanda por transporte animal foi se acabando. No Brasil, as estradas de ferro começaram a ser construídas a partir da Segunda metade do século XIX. Foi nesse contexto de modernização do transporte que, em 1880, iniciou-se a construção de uma ferrovia ligando o litoral paranaense à região do planalto curitibano. Essa estrada de ferro configurou-se como fator determinante de uma grande dinamização da região dos Campos de Curitiba.
É a partir daí que situamos um novo momento na História de Pinhais, quando se formou o primeiro núcleo populacional nos arredores da Estação de São José dos Pinhais (1885) e da Cerâmica (1898).
Surge o Povoado
A história recente da ocupação territorial de Pinhais tem as suas raízes intimamente ligadas à construção da Ferrovia Paranaguá Curitiba, inaugurada já no ano de 1885. Além da estação, outro fator aglutinador foi a implementação de uma indústria cerâmica que a partir de meados da década de 1910, tornou-se uma das unidades produtivas mais dinâmicas do Paraná.
Com base nos registros da Segunda Lei de Terras do Paraná (1893), podemos trabalhar com a hipótese de que a Estação de Pinhais surgiu para possibilitar o acesso e o escoamento do centro produtor de São José dos Pinhais, visto que esse município produzia erva-mate em grande escala, além de madeira e outras mercadorias.
Vários desses registros fazem menção à estrada que ligava o município de São José dos Pinhais. Com a inauguração da Estrada de Ferro, também foram construídas as casas dos funcionários responsáveis pela manutenção da ferrovia. Começou assim a se esboçar um pequeno povoado. Além dessa incipiente concentração de moradores, já estavam estabelecidos proprietários de terras que desenvolviam atividades agropastoris. Grande parte desses proprietários moravam na região e utilizavam as suas terras para o plantio de diversos gêneros agrícolas e para a criação de gado, tendo como centro de consumo a Capital. Datam desse período vários registros de terras, principalmente nas proximidades do rio Palmital e também entre os rios Atuba e Iraí.
É possível que nessa região existisse um grande número de fazendas, constituindo uma população esparsa, pois é nesse momento que chegou ao Paraná, principalmente à capital e arredores, a grande leva de imigrantes europeus, fundando suas respectivas colônias. Nessa região estabeleceram-se muitos imigrantes italianos, que fundaram a Colônia Novo Tirol. Em sua maioria, essas novas populações se ocuparam do cultivo de terra e também de incipientes manufaturas, a maioria de cunho artesanal.
Em linhas gerais, eram essas as características da região no final do século XIX e início do século XX. Isso pode ser melhor constatado à luz de documentos históricos, como alguns registros de terras:
Registro que faz o Engenheiro Francisco de Almeida Torres de um immovel situado no lugar Vargem Grande de accordo com o artigo 107 do Registro de 8 de abril de 1893. Estado do Paraná (...) Os terrenos da Vargem Grande compoem-se campos e mattos, entre os Rios Atuba Palmital Ivahy e a Estrada de Ferro essa parte assim comprehendia e pertence exclusivamente aos registrantes: a parte que fica entre a Estrada de Ferro Rio Atuba e Palmital e terreno da Varginha é em comum com alguns herdeiros de Manoel Florencio Lisboa e sua mulher [...] Estrada e caminhos: a Estação de S. José dos Pinhaes (...)
Secretaria das obras públicas e colonisação em Curitiba. 8 de outubro de 1895. Mariano de Almeida Torres.
A abertura da via férrea ligando ao planalto curitibano significou um avanço de suma importância para a economia do Estado. A via de acesso para o escoamento da produção da Capital e das regiões vizinhas facilitou e fomentou o surgimento de novos empreendimentos econômicos. Assim, em 1898 tiveram início os trabalhos da cerâmica da família Torres, que foi instalada na região bem próxima à linha férrea.
Fonte: Prefeitura de Pinhais.
| Dados gerais | |
| Fundação: | 20 de março de 1992 |
| População: | 112.038 (IBGE 2007) |
| Distância à capital do Estado: | 7 km |
| Área territorial: | 61.137 km² (ITCG 2007) |
| Altitude: | 893 m |
| Limites: | Curitiba, Piraquara, Colombo, Quatro Barras e São José dos Pinhais |
| Empresas instaladas em Pinhais: | 6.425 |
| Ranking Econômico: | 9º do Estado, 4º da RMC |
| Índice FIRJAN (IFDM): | 3º do Estado |